Mais lidas

    Blogs e Colunas

    Mundo Empresarial

    Mundo Empresarial

    Planejamento e Implementação de Políticas de Inovação

    Escrito por Da Redação
    Publicado em 31.05.2021, 08:55:15 Editado em 31.05.2021, 08:55:26
    Associe sua marca ao jornalismo sério e de credibilidade, anuncie no TNOnline.

    Como um complemento às principais ações indutoras ao crescimento e desenvolvimento econômico, ocorre o fortalecimento de políticas de inovação, não apenas de estágios sequenciais a partir de instituições científicas - políticas de inovações lineares - que progressivamente são transferidas ao setor produtivo, mas também aquela gerada fruto de relações entre empresas - políticas de inovações interativas - e instituições por meio de contratos que disciplinam relações de atores locais e regionais. Isto se dá através da integração dos diferentes agentes locais, valorizando a aproximação territorial com vista a estimular e fomentar o aprendizado e a difusão da tecnologia, amparado pelo conhecimento codificado e tácito, fruto da experiência, de toda a rede de empresas locais.

    As políticas lineares têm forte amparo em parcerias público privadas, por meio de financiamentos públicos ou através de incentivos e isenções fiscais direcionados a projetos de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D). As políticas interativas estão amparadas em instituições de apoio empresarial, organizações coletivas e na interação de atores locais. Estas organizações se constituem em promotores de serviços tecnológicos, treinamento de recursos humanos, informação e design, entre outras. Esses avanços balizam o alicerce competitivo dos diversos setores econômicos, assim como os setores calçadistas, de bonés, confecções em geral e móveis.

    Nas formas de atuação das Políticas Lineares: i) Busca-se a difusão hierárquica do conhecimento; ii) Busca-se a difusão de novas máquinas e equipamentos; e iii) Articula-se por meio de financiamento público pontual, ou por meio de subvenções e incentivos. Aqui a gestão é centralizada em um gestor público ou privado com regras bem definidas. Nas formas de atuação das Políticas Interativas: i) Articulam-se políticas direcionadas a interação indo de baixo para cima, ouvindo a necessidade das empresas e associações empresariais; ii) Fomenta-se e se difunde o aprendizado de novas tecnologias nas redes de empresas locais; e iii) Fomenta-se financiamentos e incentivos direcionados à rede local, buscando o aprendizado e a dinamização do coletivo. Aqui a gestão é descentralizada e realizada por organizações locais intermediárias com regras bem definidas.

    A partir dessa visão de instrumentalização de políticas direcionadas aos setores, valoriza-se principalmente o caráter interativo sem se esquecer da importância de se construir um ambiente macroeconômico favorável, de expectativas positivas a novos investimentos com sólida estrutura institucional aliada à política industrial e tecnológica. Pode-se definir objetivos com vistas à promoção da transformação e a passagem segura dessas aglomerações empresariais incipientes a condição de polos industriais inovativos consolidados numa cadeia de fluxo contínuo a montante e a jusante ampliando cada vez mais sua especialização e competências flexíveis.

    Os objetivos podem passar por diversos caminhos como: i) revolucionar e estimular o ambiente, levando-o a aprender e a reaprender, incentivando, levando os recursos humanos a maximizarem cada vez mais suas capacidades com políticas que também priorizem a inclusão social; ii) Suprimir gargalos e ampliar economias de escalas. Um papel das políticas é organizar grupos de empresas e/ou toda a aglomeração empresarial local e regional, reduzindo ou eliminando seus obstáculos ao crescimento; iii) Viabilizar medidas para inclusão das novas tecnologias e melhorias de qualidade com vistas a busca de certificação; iv) Promover a infraestrutura da aglomeração empresarial visando a construção e ampliação de economias externas, principalmente no que se refere a energia, transporte e telecomunicações. Aqui o maior problema está em reorientar investimentos e cobrir falhas advindas tanto da parte do mercado quanto de ações de políticas públicas; v) Promover o fortalecimento contínuo de sinergias entre os atores da aglomeração empresarial local e regional. Este deve ser o objetivo fundamental das políticas de desenvolvimento local, levando as empresas a ganharem consciência de que suas conquistas são frutos de interação coletiva.

    O desenho dessas ações visa ampliar a competência e desenvolver a inovação nas aglomerações empresariais locais e regionais como um todo e, para isso, deve-se percorrer critérios como: de neutralidade de iniciativas, a tal ponto que todas as empresas das aglomerações produtivas empresariais sejam beneficiadas, isto é, nenhuma empresa da aglomeração empresarial deve obter maiores vantagens que outras, respeitando sua capacidade específica; de reciprocidade, onde o projeto procura agrupar empresas de formas complementares, que mutuamente se beneficiem com a proximidade de suas atividades ao longo da cadeia produtiva; por fim, as empresas devem conhecer e se inspirar em projetos de demonstração que apresentem sucessos que já deram positivos resultados e podem ser imitados.

    Vale ressaltar que esses objetivos passam fortemente, por políticas de inclusão social, apoiadas por instituições direcionadas à cooperação, amparadas no exemplo de projetos-pilotos com vista a intensificar a promoção de novas tecnologias e da cooperação no interior das aglomerações empresariais. Note-se que uma política pública de retomada do desenvolvimento industrial deve percorrer diversos caminhos para integrar os atores e promover o crescimento e desenvolvimento local/regional de forma integrada e planejada. Considerando que somente estabilidade da moeda não é suficiente para a promoção de desenvolvimento, precisa-se planejar e investir forte em políticas setoriais de indução ao crescimento e desenvolvimento.

    Gostou desta matéria? Compartilhe!

    Deixe seu comentário sobre: "Planejamento e Implementação de Políticas de Inovação"

    O portal TNOnline.com.br não se responsabiliza pelos comentários, opiniões, depoimentos, mensagens ou qualquer outro tipo de conteúdo. Seu comentário passará por um filtro de moderação. O portal TNOnline.com.br não se obriga a publicar caso não esteja de acordo com a política de privacidade do site. Leia aqui o termo de uso e responsabilidade.
    Paulo Cruz

    Paulo Cruz

    Paulo Cruz, doutor em Economia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, professor de Economia da Universidade Estadual do Paraná, campus de Apucarana, escreve sobre temas relacionados a área

    Enviar mensagem para Paulo Cruz